sábado, 25 de janeiro de 2014

O que é o "rolezinho" - André Lopes

Primeiramente cabe ressaltar que o “rolezinho” como um fato concreto, nada mais é que um encontro de jovens, combinado por meio das redes eletrônicas sociais, num shopping qualquer, um fenômeno corriqueiro se pensarmos em um primeiro momento. Arraigado a um contexto histórico e sociológico que leva ao acontecimento desse fato, uma condição histórica de uma sociedade consumista, na qual o indivíduo, de diferentes classes sociais, cria uma falsa situação de pertencimento, enquanto consumidor, consumindo produtos e bens como um tênis de marca, uma calça de grife, um eletrodomésticos ou até mesmo um vídeo game, que definirão a identidade social desse indivíduo e de uma maneira muito mais intensa nessa geração, de jovens e de adolescentes, que estão em uma fase de construção da sua personalidade. Os shoppings se tornaram verdadeiras catedrais de consumo, um espaço de territorialização para o consumo da massa. É lá que o consumo e a identidade se territorializa, é um lugar agradável, onde você pode fazer suas compras. Agora devemos jogar em um panorama um pouco mais abrangente, nos últimos dez anos nós tivemos um crescimento de camadas sociais que começaram a consumir, e ao consumir elas passam a ter muitos bens e produtos, que antes eram restringidos a elite. Esses adolescentes buscam um espaço de interação, naquele que é um lugar, onde parece que momentaneamente, o consumo se realiza. Esta pratica está tomando dimensões cada vez maiores, aumentando progressivamente o número de pessoas envolvidas no movimento "rolezinho", como também os efeitos prejudiciais relacionados a este fenômeno, como o vandalismo e o prejuízo comercial em alguns shoppings.

Um comentário:

  1. Bacana André! Muito boa a sua introdução ao tema! Me fez lembrar a música Mancha Roxa (Marcha Rancho) do cantor Max de Castro gravada em 2002. Abaixo a letra e link para a música:
    É pois é. não há mais girassóis.
    A tarde inteira o sol Bronzeia os urubus.
    Pagando os pecados debaixo do equador.
    Atrás da mais valia só não vai quem já morreu.
    Se hoje eu posso consumir, eu sou cidadão.
    Se amanhã não, então eu sou marginal.
    Mas a mesma indiferença que cultiva o jardim capital.
    É a mesma que o envenena e espalha o terror.

    É meu caro amigo: O mar está revolto.
    É sangue no olho, não dá pra segurar.
    Já deu meio-dia. Não tem mais perdão
    A sombra mais curta, o fim do erro mais longo

    Ah, eu quero ver. O que vai acontecer. Com quem fica no poder. E não faz e não deixa fazer.
    Ah, eu quero ver. Pra onde vai correr. Quem fez tanta gente sofrer. Na hora de quem nunca teve vez.

    Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Erpw70yLyhE

    ResponderExcluir